Três meninas. Três histórias diferentes que se encontram. Três linhas distintas de pensamento, que se unem formando um maravilhoso mosaico de histórias, ideias e experiências. Encontram-se nas afinidades e completam-se nas diferenças, enlaçando-se nas alegrias e tropeços da vida. Escrevem aqui para celebrar, compartilhar e aprender. Para refletir sobre as experiências do passado, as inquietudes do presente e as incertezas do futuro. Nessa sucessão de encontros e desencontros, buscam entender melhor o mundo. Tudo isso regado por um pouco de geografia, política, arte e muito ziriguidum!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

domingo, 3 de outubro de 2010

Voto obrigatório: Um direito de todos.


Gente! Voltei! Mas não dá para se animar muito, pois, como vocês sabem, das TRÊS meninas duas são professoras, e mês de outubro é um inferno astral para professores...não é Paty?? Aff! Mas vamos lá! Escrevo em meio à apuração das eleições 2010, cerca de 30% das urnas apuradas em todo o Brasil. Dilma na frente,mas não tanto quanto se esperava. Votei na Dilma. Nem por gosto, nem a contra gosto. Votei para marcar posição de esquerda. Seja lá o que isso signifique hoje em dia...não ser de direita é ser de esquerda nessa altura do campeonato? Alguem me explica? Mas não é sobre isso que eu quero falar. Venho de um acalorado almoço em família. Acalorado apesar do dia chuvoso e da frente fria... Acalorado, pois discussão sobre política na minha família é um turbilhão de emoções! Nossa! O sangue italiano sobe e a gritaria é certa. Eu e meu pai sempre divergimos muito nesse sentido e, como sempre, nessas eleições não foi diferente. Mau cunhado esse ano resolveu entrar a "briga" e já viu: a gritaria foi maior ainda! Mas discutimos política além do voto, o que eu acho muito bom, ainda que seja difícil nesse momento onde as eleições acabam resumindo a política a isso. Dado momento a conversa enveredou para o voto obrigatório. Nunca tinha parado para avaliar de fato o que eu acho do voto obrigatório. Mas hoje tirei uma conclusão que acho pertinente a respeito. O voto deve ser obrigatório no Brasil. Explico meu raciocínio. Penso que em países como o Brasil, onde a desigualdade social é MUITO grande o voto obrigatório é uma forma de participação (ok, participação obrigatória não é bem participação, mas vamos partir do principio de que seja) que ajuda a dar voz àqueles que quase nunca são ouvidos em nada. Imaginem uma eleição onde o voto fosse facultativo no Brasil........ Quem iria às urnas?...... Especulo que pouquíssimos representantes da população de baixa renda (que ganha de 0 a 3 salários mínimos por exemplo) compareceria às urnas. Meu cunhado discorda. Claro! diz que não. Que os pobres iriam devido ao voto de cabresto, à venda de votos, aos benefícios assistencialistas etc. Discordo. A gente percebe bem como é difícil para uma parcela da população de fato "excluída" ter acesso a uma série de informações, de conhecimento, de educação considerados "básicos" pela classe média/alta na prática eleitoral. Será que aqueles que não estão constantemente em contato com esse tipo de discussão, aqueles que sequer entendem direito o palavrório dos noticiários, dos horários eleitorais obrigatórios, dos jornais a respeito de projetos, programas, fraudes, corrupção etc., iriam votar? Será que iriam deixar suas casas no domingo (para muitos o único dia de descanso semanal) seus filhos (famílias em geral mais numerosas que as de classes mais altas e creches não funcionam domingo) se expor à críticas (do tipo: "demora muito, não entende uma coisa tão simples como essa maldita máquina" e outras...)..acho que não! Acho que eleições facultativas são para países com baixíssimos índices de desigualdade social, como Suécia, Noruega, Finlândia, não para nós! Nesses países há um nível consideravelmente próximo de educação, acesso à informação, senso crítico que permitem a manutenção de um processo eleitoral onde os próprios cidadãos decidam se votam, ou não. Em países como o Brasil, ou toda a América Latina, ou mesmo países desenvolvidos como os Estados Unidos, as eleições TEM que ser obrigatórias para que possam refletir a vontade das suas populações. Ainda que isso ainda e INFELIZMENTE seja mascarado por muita corrupção, roubalheira, fraude e crimes eleitorais, como todos sabemos. Penso que nos Estados Unidos, por exemplo, as eleições são absolutamente distorcidas. Os guetos americanos participam do processo eleitoral? Se envolvem com as prévias eleitorais, com os plebiscitos, tão comuns no país? Claro que não! Do contrário, no estado do Texas (um estado bastante conservador, mas onde existe uma marcante presença de hispânicos devido à influência mexicana e centro-americana) não vigoraria a pena de morte. No corredor da morte é sintomática a presença de hispânicos e negros condenados à pena capital. Quem aprovou a pena de morte nos referendos? Os próprios? Acho que não... O Lula, com defeitos e qualidades melhorou a vida da população pobre nesse país. A minha não mudou em nada. Mas as pesquisas mostram que o Brasil hoje é menos pobre. Só não vê quem não quer. Temos MUITO a fazer, ainda, mas essa é ooooutra história... Será que o Lula elegeria a Dilma se hoje o voto passasse a ser facultativo no Brasil? Tenho dúvidas. Após essa longa e confusa reflexão (penso escrevendo direto aqui nessa janelinha o que contribui para deixar meu raciocínio sinuoso. Desculpem!) quis dizer que: Temos um importante instrumento de aproximação entre as classes sociais com o voto obrigatório. Com todos os problemas que isso ainda possa trazer. É um custo benefício que merece ser considerado. Rumo ao segundo turno! Ao que tudo indica...

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Como Paulo Freire ajudou a mudar a vida das mulheres do Vietnã


As mulheres dessa foto são mulheres da etnia Thai e vivem na comunidade de Thanh Nua nas proximidades de Dien Bien Phu, no noroeste do Vietnã. Elas são mulheres agricultoras que visitavam uma vila vizinha, a convite de sua professora, para aprender técnicas de manejo e produção de fertilizantes orgânicos.

Eu também estava lá para conhecer esse e outros projetos. Estive no Vietnã para visitar projetos em três comunidades na região de fronteira com o Laos. As comunidades rurais de Na Tau, Thanh Nua e Thanh Xuong desenvolvem experiências de recuperação de uma variedade de arroz nativo, uso de fertilizantes orgânicos na agricultura e integração entre criação animal e vegetal.

As experiências nas comunidades tiveram ótimos resultados, aumentaram a produtividade agrícola em até 3 vezes e garantiram segurança alimentar durante o ano todo. Assim como essas experiências de Dien Bien Phu, existem outras pelo país. Desde 1986 quando o quadro era de fome extrema, o governo do Vietnã vêm implementando, com muito sucesso, programas e projetos para incentivar a agricultura familiar e combater a fome.

Não é a toa que o Vietnã hoje se destaca como um dos países que está atingindo as metas estabelecidas pelo primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio de reduzir pela metade a pobreza e a fome até 2015. Durante a Cúpula Mundial dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas, que começou neste dia 20 em Nova Iorque e que reúne mais de 140 líderes e chefes de Estado, o Vietnã (assim como Brasil) está sendo destacado como um caso de sucesso.

Mas, embora o sucesso das experiências locais de agricultura e segurança alimentar tenham me impressionado, não foi isso que mais me chamou a atenção. O que saltou aos olhos foi o processo de implementação e disseminação desses projetos e como eles mudaram a vida e a posição das mulheres na região e, dentre elas, as mulheres dessa foto.


Esqueça os modelos de extensão rural tradicionais ou o formato de escola e educação que vemos normalmente. A metodologia do trabalho que foi implementado lá na região de Dien Bien Phu, é bem diferente e teve inspiração na filosofia do educador brasileiro Paulo Freire. Essa metodologia é chamada de Reflect e junta a alfabetização de adultos com disseminação de conhecimento técnico e reflexão crítica sobre as relações sociais em que o grupo está inserido.

Esse grupo de mulheres Thai da foto é parte de um grupo de Reflect há três anos. Através do grupo, elas se alfabetizaram, aprenderam diversas técnicas agrícolas, discutiram sobre violência doméstica, saúde da mulher e HIV, e também formaram um grupo de canto e dança.

Tudo isso mudou muita coisa na vida delas. Mas, acima de tudo, mudou como elas se colocam diante do mundo.


Uma delas me conta que, há alguns anos, antes de fazer parte do Reflect, ela quase não saía do espaço de sua casa. E certamente não iria estar em outra vila para aprender algo novo e muito menos estaria falando assim com “estranhos” como eu, especialmente alguém de outro país.

Eu pergunto a ela por que? O que mudou? E ela me responde que, antes, era muito tímida e não tinha coragem nenhuma. Hoje ela se sente mais forte, não tem medo de sair e ir a outros lugares, falar com outras pessoas. Ela se sente mais forte porque aprendeu a ler e escrever, e assim pode estudar com seus filhos. Se sente mais forte porque agora entende de agricultura e de comércio e pode dar sua opinião sobre o que plantam, como plantam e como vendem. Ela hoje se sente mais forte porque pode se colocar e decidir junto com o marido sobre os rumos da sua casa e da sua familia.

Poder estudar com os filhos, ir até uma cidade vizinha, aprender coisas novas, se expressar, partilhar a responsabilidade doméstica com o companheiro podem parecer para nós coisas óbvias, dadas, tidas como certas. Mas para muitas mulheres no mundo, é algo distante e até inimaginável.

A experiência mais forte dessa visita ao Vietnã foi, sem dúvida, ver e ouvir o depoimento dessas mulheres - que não são números em uma pesquisa, mas gente de carne e osso, com rosto, nome e sentimentos - sobre como elas se transformaram e transformaram a vida ao seu redor.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Raízes: uma vez geógrafa...sempre geógrafa!

Apesar do querido amigo que nos homenageou com o poema na barra lateral desse blog estar certo ao dizer que eu abandonei a geografia e fui ser feliz, uma vez geógrafa... pra sempre geógrafa!
Caminhando de férias pelas ruas de Lisboa, não resisti e fui visitar a Sociedade Geográfica de Lisboa. Afinal, impossível esquecer as aulas de história do pensamento geográfico e o papel das sociedades geográficas.
A instituição ainda organiza eventos, cursos, palestras etc e dizem que tem um excelente museu com peças de antigas colônias portuguesas.
Infelizmente, estava fechado. Agosto é o mês das férias de verão e muitos lugares fecham e só retomam as atividades em Setembro.
De qualquer forma, valeu a lembrança. E a foto na porta da Sociedade Geográfica está aí para os geógrafos verem que eu não nego as origens!

domingo, 12 de setembro de 2010

MAIS UM 11 DE SETEMBRO


Mais um 11 de setembro passou e é incrível como essa data não morre!
É incrível como todo 11 de setembro somos “bombardeados” por nossa incrível mídia domesticada por relatos superficiais sobre as inúmeras vítimas do atentado. Eu, particularmente, sempre lamento perda de vidas, mas tenho que concordar neste caso com a breve e pontual reflexão do Veríssimo nos passados 11 de setembro de 2001: “Pena que tinha gente...”
Hoje acordei e vi um pequeno documentário de 11 minutos postado por um amigo no facebook, que fez-me recordar de uma coincidência histórica muito pertinente para o famigerado dia 11. Foi também num dia 11 de setembro, porém de 1973, que Salvador Allende, foi deposto e assassinado. O socialista que teve a audácia, num período de ditaduras vorazes na América Latina, de achar que poderia implantar uma sociedade mais justa e igualitária na América do Sul.
Foi num mesmo 11 de setembro, que um presidente, legitimamente eleito no Chile, foi morto por uma oposição de direita, bancada e apoiada pelo imperialismo norte-americano, que ontem, mais uma vez, chorava pelos seus mortos...
Mesmo imperialismo que nos dias atuais bancou e estimulou uma minoria branca, que não aceitava, e ainda não aceita, a eleição legítima de um indígena, Evo Morales, que não engole o Hugo Chavez e que não fez nada contra a deposição do Zelaya em Honduras.
Estranho como as coisas se repetem...
Estranho como os erros permanecem...
Estranho como é difícil sonhar com algo melhor...
Estranho como que por mais que caminhemos a luz no fim do túnel insiste em não aparecer...
Estranho...
Fico feliz de pelo menos ainda ter a sensibilidade de ter o estranhamento e não cair no sentimento de “naturalidade” comum a muitos...
Presto aqui uma pequena homenagem ao povo chileno e todos os demais povos dessa América Latina sofrida e perseguida.
Termino com a mesma mensagem final apresentada no documentário que vocês assistirão a seguir, que simplesmente ADOREI!
Santo Agostinho disse: "A esperança tem duas filhas lindas... A raiva e a coragem. A raiva do estado das coisas e a coragem para mudá-lo"
ASSISTAM O VÍDEO, VALE MUITO A PENA VER!!