Três meninas. Três histórias diferentes que se encontram. Três linhas distintas de pensamento, que se unem formando um maravilhoso mosaico de histórias, ideias e experiências. Encontram-se nas afinidades e completam-se nas diferenças, enlaçando-se nas alegrias e tropeços da vida. Escrevem aqui para celebrar, compartilhar e aprender. Para refletir sobre as experiências do passado, as inquietudes do presente e as incertezas do futuro. Nessa sucessão de encontros e desencontros, buscam entender melhor o mundo. Tudo isso regado por um pouco de geografia, política, arte e muito ziriguidum!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor de arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido (mal vivido ou talvez sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser, novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?). Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar de arrependido pelas besteiras consumadas nem parvamente acreditar que por decreto da esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver. Para ganhar um ano-novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997.

Conheça o autor e sua obra visitando "Biografias".

FELIZ 2011 PARA TODOS!!!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O legado dos megaeventos esportivos para a cidade Maravilhosa

"O Rio de Janeiro va ter muito a ganhar com os jogos olímpicos e a Capa do Mundo"... é o que ouvimos, religiosamente, tal como um mantra, da parte de todos os que querem nos convencer da idoneidade e boas intenções dos processos de licitação, execução de obras, investimentosem serviços etc. ... Dá uma olhadinha aí em baixo, se possível acesse o site (o link está no título dessa postagem) e contribua com apoio às comunidades despejadas e novas denúncias! Desejo um 2011 mais HUMANO para todos!! Beijos, Tati

LEGADO DOS JOGOS LEGACY OF THE GAMES LEGADO DE LOS JUEGOS 2092 pessoas despejadas*/people evicted*/personas desalojadas* 523 famílias despejadas/families evicted/familias desalojadas

* Estimativa de quatro pessoas por família *Estimate of four persons per family * Estimación de cuatro personas por familia

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COMUNIDADE (COMMUNITY)

OBRA (CONSTRUCTION)

LOCAL (DISTRICT)

NOTÍCIA (NEWS)

MAPA (MAP)

1

Vila Recreio II

BTR - Transoeste

Recreio dos Bandeirantes

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2

Vila Harmonia

BTR - Transoeste

Recreio dos Bandeirantes

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3

Restinga

BTR - Transoeste

Recreio dos Bandeirantes

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4

Amoedo

BTR - Transoeste

Recreio dos Bandeirantes

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5

Av. das Américas 19.070

BTR - Transoeste

Recreio dos Bandeirantes

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6

Magarça - Km 35

BTR - Transoeste

Pedra de Guaratiba

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL!!!

Cique na imagem que ela se move... Fofa! Amigos e amigas que frequentam esse humilde blog, Desejamos que a agitação dos últimos dias do ano não embace a capacidade de avaliar o que houve de positivo em 2010 e que vocês possam manter firme a máxima pedagógica de que também se aprende com os erros, que vocês possam sorrir e gargalhar sozinhos e entre amigos, que possam emocionar-se e arrepiar-se com filmes, livros, bebês, demonstrações de afeto e até com o trabalho, que sejam capazes de agradecer ao Criador (qualquer um em que vocês acreditem: Deus, Gaia, Alá, Big bang, ...) por estarem aqui e cruzarem os caminhos uns dos outros. (recebi de uma amiga e gostei, adaptei e resolvi compartilhar!)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

CENTENÁRIO DE NOEL


Hoje encontrei-me rapidamente com a Rê, que comentou sobre um livro lindo da biografia de Noel Rosa que ela presenteou-me tempos atrás, que por sinal é uma relíquia nos dias atuais, e lembrei-me após esse nosso papo que o ilustríssimo sambista não havia recebido as devidas homenagens das meninas deste blog.

Para acertar tamanha negligência, segue um breve relato sobre o nosso
saudoso poeta da Vila!
Nascido em Vila Isabel, zona norte do Rio de Janeiro, o sambista Noel Rosa completaria cem anos no dia 11 de dezembro deste ano. Desde o início do ano, o compositor e cantor recebe homenagens da cidade sobre a qual tanto gostava de transformar em música e as meninas também não poderiam deixar de prestar uma singela homenagem ao compositor. Para o músico Martinho da Vila, que escreveu o samba-enredo “Noel a presença do poeta da Vila”, o legado de Noel - além de suas obras - foi ter ajudado o samba a se tornar símbolo do Rio. –É uma figura imortal, parece que ainda está aqui. Suas composições e melodias são bastante atuais. Noel Rosa inspira poesia no samba.
No entanto, a cidade descrita por Noel é diferente daquela imaginada pela maioria das pessoas quando se menciona o Rio de Janeiro. De acordo com o músico Carlos Didier, que escreveu Noel Rosa, uma biografia , junto com João Máximo, o sambista se concentrava no homem comum, do Centro para a zona norte, em vez de descrever o cenário e o dia a dia das pessoas de Copacabana e Leblon.
- Em vez de falar em tese, por exemplo, de amor, ele ilustrava com a cidade, uma cena em um bar. Era um grande cronista. O Noel viabiliza a crônica em samba. Antes dele, a cidade aparecia apenas em cenas pequenas. Ele era simpático a cidade. Mas ao focar em seu bairro, ele não perde a capacidade de ser universal.
Homenagem a Noel Rosa-Vila Isabel
Para o biógrafo, o sambista pegou o espírito da cidade, que seria um humor, que não é uma gargalhada, mas um sorriso. Uma graça com uma ponta de tristeza, uma sátira com uma ponta de filosofia. O “poeta da Vila” viveu na época da formação do samba genuinamente carioca, interferindo no modelo criado no início dos anos 20. Isso ao lado de Ismael Silva, Cartola, Paulo da Portela, que são considerados os sambistas de raiz.
- A chegada de Noel ajuda a legitimar o samba, porque ele traz uma cultura literária portuguesa e brasileira. A música “Triste cuíca”, por exemplo, é um soneto – tipo de poema- e muitas pessoas nem sabem.
Noel Rosa era um boêmio, que gostava de trocar experiências com outros artistas. Teve aproximadamente 60 parceiros, segundo Didier. O sambista veio de uma família musical.
Noel Poeta da Vila - O Filme
Seu primeiro instrumento foi o bandolim da mãe, em seguida, o violão do pai. Didier conta que, segundo relatos do próprio Noel, ao conseguir a atenção das moças com a música, o sambista aproveitou o talento que tinha.
O “Poeta da Vila” viveu apenas 26 anos, vítima de tuberculose, mas compôs alguns clássicos da música popular brasileira. Destacam-se Com que Roupa?, Fita Amarela, Feitiço da Vila, Onde está a Honestidade? e Filosofia.
Concluirei essa postagem com o "último desejo" do nosso eterno Noel!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Polícia desocupa prédio no Centro com gás e tiros de borracha

É para ISSO que serve a POLÍCIA e a POLÍTICA no Brasil... Tortura, violência, repressão, agressão, injustiça, calúnia, difamação, corrupção, autoritarismo, arrogância, crueldade, selvageria, ..., poderia ficar qualificando até amanhã. Mas prefiro publicar a reportagem que saiu no Globo (que para os seus padrões de criticidade "a la classe média tijucana" foi bem ponderada e, na sequência, a carta enviada por um companheiro que foi preso na desocupação. MAIS UM DESPEJO, MAIS UMA OCUPAÇÃO!
RIO - Policias Militares do Batalhão de Choque lançaram gás, spray de pimenta e tiros de borracha para dispersar estudantes, sindicalistas e manifestantes que protestavam em frente a um prédio do INSS, ocupado por sem-teto, na Avenida Mem de Sá, nº 234, no Centro.
O prédio havia sido ocupado por 23 famílias no fim da tarde deste domingo. Alguns manifestantes foram presos e um chegou a ser levado para o hospital com sangramento no pescoço, após ser atingido por um tiro de borracha.
Antes da chegada do Batalhão de Choque, o clima era calmo e os manifestantes estavam em clima pacífico. Há grande confusão no local e aos pouco as famílias que ocupavam o prédio estão sendo retiradas pela polícia. No tumulto muitas crianças, idosos e até uma grávida sofreram com a confusão, muita tosse e irritação nos olhos.
Segue a carta de Pedro:
Gente,
encaminho este email e aproveito para fazer um breve relato sobre o que aconteceu comigo e mais seis companheir@s que foram presos e alvos de tortura ontem tanto por parte da Polícia Federal como da Polícia Militar. Nos reuniremos ainda para escrever uma carta denunciando tudo o que aconteceu, todas as arbitrariedades e desrespeitos aos direitos humanos cometidos pela Polícia à mando do INSS, um dos maiores latifundiários urbanos e que apenas em 2010 promoveu quatro despejos de ocupações sem-teto no centro do Rio, jogando centenas de famílias na rua ao mesmo tempo em que seus imóveis continuam abandonados e servindo à especulação imobiliária, mas, por hora, escrevo este email apressado pra divulgar em parte o que vivemos ontem.

Primeiro, temos que esclarecer a mentira, levada a acusação jurídica, de que o movimento, através de seu "líder" - que a polícia identifica como eu - sequestrei e agredi o segurança com tapas e abuso de força física. Isso é um total absurdo! Nem eu e nem nenhum dos companheiros, dos ocupantes, agredimos o segurança ou o prendemos. Nós entramos no prédio quando a porta estava aberta, logo após a troca dos vigilantes, e num momento em que este conversava com uma pessoa na calçada. Nós apenas conversamos com ele e explicamos a ação, dizendo que o prédio estava agora ocupado por famílias que se organizam no movimento sem-teto e que nós estávamos pleiteando, na justiça, a propriedade do imóvel. Nem nós, nem mesmo o segurança - que era apenas um contra trinta famílias, por isso não reagiu - fomos agressivos e a resolução deste conflito foi rápida e pacífica. Inclusive, nós devolvemos todos os pertences dele, mostrando que não era nossa intenção roubá-lo, nem prendê-lo no prédio. Obviamente, se o prédio estava ocupado não havia sentido deixá-lo lá dentro, inclusive, pois, nesse caso os seguranças costumam alegar "cárcere privado" como forma de derrotar a ação do movimento. Sendo assim, fica clara a tentativa de criminalizar o movimento social, algo que não é brincadeirinha ou jargão de militante, mas que acontece diariamente, acarretando em atos extremamente violentos e inclusive em mortes. Tentativa, é preciso ressaltar, que constrói uma imagem de organização do movimento social totalmente equivocada e que reflete o próprio Estado. Eu não sou líder de movimento algum, como consta na acusação que está sendo encaminhada ao Juiz, nem existe líder que coloca pessoas num prédio ou que sejam os “incitadores da violência”, como também consta na acusação. Os apoios da ocupação nem se quer tem direito a voto nas assembléias de moradores, incentivando e acreditando que o movimento sem-teto tem que ser guiado pelos próprios sem-teto, cabendo a nós, como fizemos ontem, apenas o papel de apoio. Nossa luta é contra o Estado, e pra isso não recorremos da estrutura organizativa, das hierarquias, nem da tortura que este promove. Lutamos pela igualdade e pela democracia direta, não nos espantando, portanto, com a não “compreensão” por parte do Estado de nosso modo de lutar.

Estado, que desde o princípio mostrou-se violento.

Entrando dentro do prédio, ainda que ocupado por crianças, idosos e por uma mulher grávida, tivemos a entrada de alimentos e objetos proibidos, tendo que recorrer a baldes que eram lançados pela janela. Pela polícia, morríamos de fome lá dentro, assim seria melhor. Aliás, não, pois como eles mesmos gostaram de frisar pra mim enquanto eu era levado na viatura e quando invadem as favelas ou matam a população de rua: “nós estamos na polícia porque gostamos de matar”. Então, talvez a morte por fome não saciasse a necessidade de extermínio que eles carregam e que parecia se manifestar muito bem quando agrediram as pessoas que estavam prestando, pacificamente, solidariedade à ocupação e quando lançaram bombas e spray de pimenta para dentro do prédio.

A Polícia, mais uma vez, implementou o terror. Quando arrombou a porta do prédio, sem nenhum tipo de ordem judicial, apenas anunciou que “se não saíssemos agora eles iam quebrar geral, a porra toda”. Saímos como lixo, tratados como bandidos da pior espécie. Tratamento que só se acentuou quando sete pessoas – que eram apoio da ocupação - foram espancadas, presas e jogadas dentro na traseira de uma viatura. Um espaço sem nenhuma ventilação, escuro, apertado, que precisa ser abolido IMEDIATAMENTE e que lembra os porões terríveis dos navios negreiros, escravidão que o Brasil cultiva e exalta. Antes de ser tacado no “camburão”, com apenas uma notificação de que eu estava sendo preso sob a acusação de seqüestro, eu ainda falei que tinha problemas respiratórios e que sofro de claustrofobia, mas parece que isso só os animou. Com o corpo machucado, ardendo com o spray de pimenta, sufocados, ficamos espremidos, praticamente enforcados pela polícia. Sessões de tortura que só prosseguiram quando fomos levados para a Delegacia da Polícia Federal (DPF) e tacados como bichos em duas salas. Sem nenhuma explicação ou qualquer diálogo, obrigaram eu e outro companheiro a tirar toda a roupa, alegando que podíamos ter “uma arma por baixo da cueca”. Piada, se não fosse o contínuo de uma agressão que ainda estava começando, pois a partir daí, perto das 13 horas, ficaríamos SEIS horas largados na cela sem direito a ir ao banheiro, usar celulares, comer, ou receber qualquer informação sobre o nosso caso e destino. Urinávamos em garrafas de dois litros, ao mesmo tempo em que gritávamos de dentro da cela pedindo que alguém abrisse a cadeia e falasse algo, o que só aconteceu com a chegada da nossa advogada e dos advogados da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro.

No corredor sujo e fechado, com apenas um ventilador para as duas celas, só começamos a ser recebidos pelo Delegado às 21 horas da noite e o último a sair, no caso eu, saiu apenas as 4 horas da madrugada, após 15 horas de cárcere, prisão, tortura, sofrendo privações e deboches de alguns policiais. No final, ainda tivemos que pagar fiança para não dormir na cadeia.

Não parece excessivo, após contar rapidamente pedaços do que aconteceu ontem, lembrar que tudo isso aconteceu no mesmo dia, 13 de Dezembro, em que os militares anunciaram o AI-5, símbolo e motor da violência e da ditadura militar, defendido tanto pelo Delegado da Polícia Federal como pelos policiais militares que nos travavam como merda dentro da viatura. Denunciar a mentira democrática desse país, tendo total consciência de que no momento em que as lutas populares do campo e da cidade crescerem e que o movimento popular aumentar as suas forças, novos golpes militares surgirão, com ditaduras mais explícitas, só que dessa vez promovidas também por aqueles que um dia foram torturados ao lutar por uma sociedade justa e democrática.

Pois, não temos vergonha nenhuma de dizer – ao risco de sermos considerados “caretas” e “velhacos” - que esta violência é estrutural do Estado e do capitalismo, especialmente à moda brasileira, e que a sociedade comunista, sem classes, sem Estado, com igualdade e liberdade, é o que buscamos e acreditamos como vida e justiça.

Pedro Freire –
Professor de sociologia do Estado

(para ler a notícia publicada no site do Globo, clique aqui  )

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

MST monta feira da Reforma Agrária no centro do Rio


O MST vai montar uma grande Feira da Reforma Agrária no Rio de Janeiro, em 9 e 10 de dezembro.
Com produtos vindos de assentamentos de diversas regiões do estado, a feira disponibilzará queijos, mel, hortaliças, mandioca, doces, geléias, frutas, entre outros.


A Feira da Reforma Agrária ficará no centro da cidade, na passarela entre o BNDES e a Petrobrás.


A feira contará com atrações culturais, como shows de forró da Banda Caramuela e outras atrações.


Os shows acontecem no dia 9, quinta-feira, às 19h. Na sexta, dia 10, às 15h, acontecerá um ato


político pelo Direito à Alimentação, com a participação de diversas entidades da sociedade civil.


Abaixo, veja a programação


Dia 9/12

14h: Abertura da Exposição de produtos da Reforma Agrária;

19h: Ato Cultural da Reforma Agrária


Dia 10/1214h: Ato Publico pelo Direito Humano a Alimentação e pela Reforma Agrária contra as Mudanças Climáticas

17h: Encerramento