Três meninas. Três histórias diferentes que se encontram. Três linhas distintas de pensamento, que se unem formando um maravilhoso mosaico de histórias, ideias e experiências. Encontram-se nas afinidades e completam-se nas diferenças, enlaçando-se nas alegrias e tropeços da vida. Escrevem aqui para celebrar, compartilhar e aprender. Para refletir sobre as experiências do passado, as inquietudes do presente e as incertezas do futuro. Nessa sucessão de encontros e desencontros, buscam entender melhor o mundo. Tudo isso regado por um pouco de geografia, política, arte e muito ziriguidum!

domingo, 11 de novembro de 2012

DIZE-ME QUEM TE FINANCIA...


Interessante texto do CHICO ALENCAR publicado hoje na Folha de São Paulo.

O ASSUNTO DE HOJE: financiamento público de campanha

"Dize-me quem te financia que eu te direi quem representas" é uma boa atualização para a antiga máxima popular. O modelo de financiamento privado de campanhas degenera a democracia representativa, pois os eleitos são a voz do dono; este, seu patrocinador, é o dono da voz.
Repete-se, no Brasil republicano do século 21, uma característica dos tempos coloniais: um Estado carregado de interesses particulares.
Entre nós, as eleições bienais ficam cada vez mais caras, impedindo que as maiorias sociais tenham a devida expressão política. A empreitada milionária produz resultados previsíveis: quem mais arrecada mais chance de vitória tem.
Além disso, o acordo interpartidário tem fundação sólida em programas... de TV e rádio. Depois, na partilha do governo. Nada de doutrinas: todos podem se aliar a todos.
O ex-governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal, com conhecimento de causa, abriu o jogo: "Empresas e lobistas ajudam nas campanhas para terem retorno, por meio de facilidades na obtenção de contratos com o governo. Ninguém se elege pela força de suas ideias, mas pelo tamanho do bolso."
As contas das últimas eleições municipais revelam que o financiamento dos candidatos eleitos para as prefeituras nas capitais e grandes cidades (e isso apesar de 80% de "doações ocultas"...) é similar ao financiamento que constituiu o Congresso atual: cerca de 60% dos deputados e senadores receberam, declaradamente, recursos de empreiteiras e conglomerados bancários.
Forma-se a bancada da Vale, da Camargo Corrêa, do Itaú, da OAS, da Andrade Gutierrez, da Gerdau, do Bradesco, do agronegócio... Tudo legitimando o poder do capital privado nos Executivos e nos Legislativos.
Há um novo formato, ardiloso, para dissociar as candidaturas de seus nada desinteressados patronos: empresas "doam" generosas somas aos grandes partidos, depois destinadas às campanhas sob a rubrica secreta e legal do "diretório partidário".
Tais repasses contrariam a cobrança do Barão de Itararé, há meio século: "Quem cabra dá e cabrito não tem precisa explicar de onde vem". A quem serve um sistema tão avesso à transparência?
Nosso problema político central é a promiscuidade entre o público e o privado e o clientelismo patrimonialista. A sangria do erário seguirá enquanto não se aprovar financiamento público e limites claros na relação entre autoridades e empresariado.
A adoção do financiamento exclusivamente público e austero de campanha é imperativo democratizante. O voto partidário, em lista pré-ordenada e flexível, com possibilidade de interferência do eleitor, é o que mais se adequa a esse modelo.
A Justiça Eleitoral determinaria a cassação de candidatos e legendas que captassem dinheiro de empresas privadas. A medida, ao contrário da aparência, desoneraria o erário, debilitado pela corrupção sistêmica, e reduziria a disparidade na disputa.
Há também propostas progressivas, como restringir as contribuições a pessoas físicas e os valores totais, mas os que fazem política de negócios rejeitam até isso.
O povo, que é induzido a não querer "dinheiro dos impostos na política", também descrê da representação que elege: porque muitos gastam na conquista de votos mais do que a remuneração que terão ao longo do mandato? O apreço pela democracia impõe mudança em um sistema que condiciona o direito de votar e de ser votado à propaganda enganosa e ao poder econômico.
CHICO ALENCAR, 63, é professor de história e deputado federal pelo PSOL-RJ
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domingo, 4 de novembro de 2012

Olhando de perto o mensalão vira mesalinho...

Tenho acompanhado o julgamento do Mensalão e acho curioso como as pessoas repetem alienadamente que o Mensalão é o maior esquema de 
corrupção do Brasil ou quem sabe do mundo!! 
A mídia é absurdamente perigosa! É a prova real de que um mentira repetida inúmeras vezes torna-se verdade absoluta para os mais descuidados. 
Não quero minimizar a falta grave cometida pelo governo petista do meu ex-amor, Lula da Silva, com relação ao Mensalão, acho apenas que há erros bem mais graves nos governos petistas, como os projetos desenvolvimentistas associados aos agronegócios, à usina de Belo Monte, apoios bizarros à figuras como Sérgio Cabral, Eduardo Paes, Sarney e toda essa gente estranha que faz parte de uma festa esquisita que já conhecemos de longas datas e que eu não quero participar. Mas não há um interesse em apresentar essas falhas, porque esses erros são convenientes para a manutenção do status quo.
Só para se ter uma leve ideia de como o Mensalão dentro dessa história de corrupção no nosso país, não é o rombo mais assustador, resolvi compartilhar esse breve texto e essa tabelinha dos 10 maiores casos de corrupção no Brasil.
Vamos acordar meu povo!! Vamos averiguar essas "verdades" que insistem em nos apresentar de forma tão convincentes!!





quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A cidade-butique

"É hora de trocar o modelo de cidade-butique, de megaeventos, que pode se tornar megaexcludente, por um projeto que não faça da população de baixa renda moeda de troca barata, a ser “realocada”, “desapropriada” ou convidada a se retirar pela gentrificação."

Eu não mudaria uma vírgula nessa afirmação.

O texto integral pode ser lido aqui.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

REMOÇÃO E DEBOCHE


O prefeito que remove é o mesmo que debocha ao usar as paredes que restaram para apoiar sua propaganda.

No Metrô Mangueira, as placas políticas começaram a aparecer presas às casas destruídas, a maioria do atual prefeito do Rio, Eduardo Paes. "Ele gosta de aparecer, porque até no meio dos escombros ele coloca propaganda. Para ir pra casa, ainda por cima, tenho que olhar pra esse cara", disse Eomar Freitas ao desviar de um vergalhão. "Olha o perigo que passamos aqui!", desabafou. (via Cidades Possíveis)

Leia mais sobre o caso aqui

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

As Olimpíadas e um dos maiores desastres da história


Dois de dezembro de 1984 – mais de 40 toneladas de gás letal vazaram da fábrica de pesticida da Union Carbide em Bhopal, Índia. Este foi um dos maiores desastres industriais da história, e ainda está vivo na memória de muita gente.

“A partir do dia em que o gás vazou, começaram os problemas. Eu comecei a perder minha visão. Os pulmões do meu marido foram gravemente afetados. A minha filha, que nasceu 16 anos depois da tragédia, nasceu com deficiências devido ao gás.”

Esse relato de uma moradora de Bhopal não é uma fala isolada, representa uma queixa coletiva que se arrasta por quase 30 anos. Entre 7 e 10 mil pessoas perderam suas vidas enquanto o gás se espalhava pelos arredores da fábrica. No total, 20 mil pessoas morreram como resultado do vazamento e outras 100 mil sofreram danos permanentes. A fábrica hoje está fechada, mas as instalações continuam poluindo e envenenando o solo, o ar e a água do entorno.

Em frente ao local onde funcionava a fábrica, uma mulher conta: “As crianças ainda vem brincar aqui. As pessoas em casa bebem a água deste solo. Crianças sofrem com deficiências, doenças de pele, e tem problemas de crescimento”.
Já se passaram 28 anos e os moradores de Bhopal ainda sofrem os impactos desse vazamento. São acometidos por diversas doenças e até hoje lutam pela limpeza da área e por uma indenização justa.

E o que tudo isso, afinal, tem a ver com as Olimpíadas? Eu explico.

Em 2001, a empresa Dow Chemical comprou a Union Carbide. Em 2010, a Dow ganhou o status de “parceiro olímpico oficial”, status concedido pelo Comitê Olímpico Internacional. A população afetada pelo vazamento de gás em Bhopal vê neste apoio aos Jogos Olímpicos uma tentativa cínica da empresa de limpar sua imagem e se isentar de responsabilidade.

“A Dow está tentando limpar sua imagem apoiando as Olimpíadas, através do poder do dinheiro. Mas não quer se responsabilizar por Bhopal. A nossa mensagem é que antes a Dow deveria se responsabilizar por Bhopal, e só depois pensar em apoiar as Olimpíadas”, demanda uma moradora da região.

Até hoje, a Dow ainda não limpou a região de Bhopal nem compensou adequadamente seus moradores. A empresa nunca abordou os impactos da catástrofe para os direitos humanos e permanentemente nega a responsabilidade da Union Carbide sobre o ocorrido. Isso parece uma atitude responsável de uma empresa? Mostra algum respeito e compromisso com os direitos humanos? Não, né?

Em Londres, houve muitos protestos contra essa parceria. As manifestações acabaram levantando questões importantes sobre grandes empresas e violações de direitos humanos e os limites que devem existir na relação entre eventos esportivos e culturais e seus patrocinadores. Agora que o Rio de Janeiro se tornou oficialmente a cidade olímpica, a bola está com a gente. O que queremos para o Rio 2016? Eu acho que as Olimpíadas não podem ser usadas para limpar a imagem de quem viola direitos humanos, legitimando tais violações e a falta de responsabilidade das empresas.

E vocês, o que acham? Será que não é hora de começar um amplo debate com os patrocinadores e parceiros das Olimpíadas no Rio?

Texto originalmente publicado no Blog Mulher 7 por 7 no site da Revista Época, e pode ser lido aqui

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A GENTE NÃO QUER SÓ MEDALHA

"No Brasil, aplicações pesadas no esporte seguem a lógica de dar muito dinheiro para quem já é rico e de despachar migalhas para os pobres. Boa parte dos recursos da Lei de Incentivo ao Esporte é utilizada para viabilizar descontos no imposto de renda de empresas que promovem suas marcas em eventos esportivos. De quebra, a lei ajuda a encher os cofres de quem organiza as competições."

(Fernando Molica, no jornal O Dia. Pode ser lido na íntegra aqui )

A Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos beneficiam quem já tem privilégios na cidade e os grandes empresários.

As obras de mobilidade não são para transporte de massa e, portanto, não beneficiam o trabalhador. São obras para automóveis individuais, beneficiando a indústria automobilística e de combustíveis, e as empresas de ônibus.

As remoções forçadas e a expulsão dos pobres das áreas centrais e de expansão da cidade, beneficiam o mercado imobiliário e a indústria da cosntrução civil.

Aliás, a construção civil se beneficia muito com todas as obras, tendo lucros muito altos. Mas não garante segurança e condições de trabalho mínimas aos trabalhadores e viola vários direitos trabalhistas. Sem prestar muita conta de nada, com total falta de transparência.

A isenção de IPTU beneficia a rede hoteleira, e as isenções fiscais beneficiam os grandes emrpesários. Os pequenos comerciantes, os moradores de baixa renda, os trabalhadores... ah, esses pagam muitos impostos. 

A movimentação da economia e os recursos que esses grandes eventos esportivos vão trazer vão direto para o bolso das grandes redes, grandes comerciantes, grandes marcas que detêm o monopólio da presença nos arredores dos equipamentos e nos locais onde eles acontecerão.

Os megaeventos esportivos são para benefício, lucro e privilégio de poucos. Para o resto é repressão, criminalização, controle, exclusão.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

PARA ALÉM DA FESTA...

Depois de um longo e turbulento período, volto a aventurar-me nesse querido espaço de reflexões, trazendo alguns relatos de emoções vividas em um histórico 13 de maio da minha vida.
Há algumas semanas atrás recebi um convite de amigos para visitar o QUILOMBO SÃO JOSÉ DA SERRA, situado no município de Valença no interior do estado do Rio de Janeiro. O quilombo e parte da sua história já eram do meu conhecimento, entretanto, nunca tive a oportunidade de visitar o famoso território quilombola.
Quilombo, segundo o dicionário banto do Nei Lopes, é uma palavra derivada do termo quibundo "kilombo", que significa, dentre outras possibilidades, acampamento ou povoado. No Brasil a palavra "quilombo" ganhou o sentido de comunidades autônomas de escravos fugitivos.
Atualmente existem centenas dessas áreas remanescentes de quilombolas que lutam para manter suas histórias vivas e os direitos às terras dos seus ancestrais. No estado do Rio de Janeiro, temos 13 Quilombos e neste final de semana fui visitar o mais antigo quilombo do nosso estado, que tem mais de 150 anos de existência.


Atravessar os portões e entrar no Quilombo São José é atravessar um portal mágico que te leva a um passado histórico vivo! É se deparar com cerca de 200 quilombolas que vivem neste local em suas casas de pau-a-pique com telhados de palha e fogão à lenha, é saborear a feijoada da Mãe Tereza e depois receber da mesma mão que te alimenta a benção da fogueira que te emociona até o último fio de cabelo. Ultrapassar as porteiras do Quilombo São José é conhecer o Tio Manuel, patriarca do Quilombo, e se encantar com a sua simpatia e alegria,  é ter lágrimas nos olhos ao ver as crianças dançando e cantando ao som do caxambu, é sentir o seu corpo vibrar ao som dos inúmeros tambores que não param de ressoar pelos vales da serra da Beleza, é ficar hipnotizado com os passos ritmados dos pés calejados que marcam o jongo e levantam a poeira do terreiro.


Visitar o Quilombo São José da Serra é uma experiência ímpar!
Não apenas pelas emoções fornecidas pelo lugar e seus adoráveis moradores, mas principalmente por constatarmos que os quilombos desse país, depois de tantos anos de sofrimento e luta, permanecem na batalha! Uma guerra sem tréguas para adquirirem o direito a propriedade de suas terras, consagrado pela Constituição Federal desde 1988, porém por muitos não conquistado, como é o caso dos quilombolas de São José da Serra, que há mais de dez anos lutam pelas terras que habitam e ainda não tiveram o processo de titulação finalizado.


Conhecer esse lugar é voltar para casa com um misto de alegria e revolta. Alegria, por perceber como a nossa cultura negra resiste bravamente pelos quilombos, guetos e esquinas desse Brasil, mantendo e divulgando as suas raízes, fortalecendo elos, quebrando esteriótipos, rompendo barreiras e ecoando as vozes daqueles que muitos insistem, ainda hoje, em silenciar. Revolta, por evidenciar, mais uma vez, a certeza que o nosso país permanece cometendo os mesmos erros do passado, que muitos não reconhecem o valor desse povo para a nossa HISTÓRIA e para nossa IDENTIDADE, que apesar de tantos "desenvolvimentos" ainda vivemos num Brasil absurdamente injusto, racista e hipócrita.
Não podemos deixar de apoiar a luta desse povo!
No momento, a comunidade espera do Juíz de Barra do Piraí, a aprovação de duas liminares, um que dá a ela a posse da área que ocupa, e outra que determina a saída do fazendeiro até que o processo seja concluído para que a comunidade possa viver em paz e com liberdade!
Vamos dar visibilidade a essa história de luta!!
Vamos vestir a camisa dos quilombolas desse país!!








sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Retrocesso na cidadania

"Estamos caminhando perigosamente no sentido da hegemonia do valor econômico da terra como único valor, desconstituindo avanços importantes que a sociedade brasileira fez no reconhecimento do direito de cidadania. Isso é muito perigoso para o país."

Raquel Rolnik, relatora das Nações Unidas para o Direito à Moradia, em entrevista à Folha de São Paulo. A entrevista pode ser lida na íntegra aqui

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Vamos re-sonhar o nosso mundo



(Agricultoras durante uma troca de experiências
na região de Manhiça, Moçambique)

Nas minhas andanças pelo mundo, já vi mostras do que o mundo tem de bom e de ruim. Eu vi fome, pobreza, injustiça e violência. Mas eu também vi coragem, solidariedade, alternativas concretas que constroem um mundo melhor.

Em Coatepeque, na Guatemala, vi uma comunidade inteira ficar sem água para beber, cozinhar e plantar, porque o rio foi desviado ilegalmente para irrigar uma plantação de palma africana para produção de agrocombustível. As mulheres, agora, andam quilômetros de madrugada para pegar um lugar na fila da única fonte de água potável.

Em Manhiça, Moçambique, as áreas rurais são muito pobres. Nas comunidades, só vemos mulheres idosas e crianças. Os homens migraram para trabalhar nas minas da África do Sul, os jovens deixaram o campo. Restaram avós e netos. É uma das áreas com maiores índices de HIV no país. O período de seca e a falta de técnicas agrícolas básicas impedem uma produção mínima de alimentos levando a um quadro de fome.

Pantasma, na Nicarágua, é uma das regiões com maior índice de violência contra a mulher. Além da violência, a desigualdade de gênero também é muito forte. Os homens participam da vida pública e deixam as mulheres na cozinha. Os homens decidem, as mulheres obedecem.

Eu vi essas situações de injustiça, fome e violência. Mas eu também vi as comunidades mobilizadas denunciando a violação de seus direitos e sua falta de acesso aos recursos naturais. Eu vi intercâmbios entre agricultores e a disseminação de técnicas simples e baratas de manejo da água e produção agrícola em áreas de seca.  Eu vi o grupo de mulheres organizadas que, depois de algum tempo e muito esforço, conseguiram o respeito de seus companheiros e hoje vivem uma vida sem violência, conseguiram sua autonomia econômica através de iniciativas de geração de renda, e agora discutem sua participação na política e na vida pública, para exercerem seu direito de decidir sobre o que afeta toda a comunidade. Eu também vi como a alfabetização de adultos muda vidas, vi o resgate de variedades tradicionais de arroz no Vietnã alimentar muitas famílias, vi grupos nômades discutirem o uso dos recursos públicos na Tanzânia, vi a construção de cisternas no norte de Minas Gerais garantir água para os agricultores durante a longa estiagem.

E ver tudo isso me faz ter certeza que o mundo tem muitos problemas, mas existem muitas soluções e alternativas possíveis. Construir um mundo melhor é uma realidade possível. Para mim, não poderia existir melhor mensagem de ano novo.

Que a chegada de um novo ano renove as esperanças e nos dê força para seguir em frente. Que em 2012 a gente não prometa nada, mas faça muito. E, acima de tudo, que a gente não se acostume e não deixe de acreditar em um mundo diferente.

Como já lindamente escrito pelo escritor e poeta nigeriano Ben Okri, as piores realidades da nossa era são realidades fabricadas. Portanto, é nossa função como participantes criativos deste universo, re-sonhar o nosso mundo. O fato de possuirmos imaginação significa que tudo pode ser re-sonhado. Para cada realidade, existem possibilidades alternativas.

Vamos, então, re-sonhar o nosso mundo. Sonhemos um mundo melhor, mais justo e mais solidário, um mundo sem fome e sem violência.

Feliz Ano Novo!

(Este texto foi originalmente publicado no Blog Mulher 7 por 7 )

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Além do bem e do mal na cidade sitiada

As UPPs, retomando experiências anteriores (os mutirões pela paz, em 1999, e os GPAEs, entre 2000 e 2002), constituem um caminho mais do que promissor, indispensável. Elas substituem as incursões bélicas em que morriam suspeitos, inocentes das comunidades e policiais, sem que nada mudasse. Sua novidade: a provisão nas favelas do serviço público, que é a segurança, 24 horas, nos moldes oferecidos aos bairros nobres, isto é, com respeito às leis e aos direitos humanos. Nada de mais. Entretanto, decisivo, uma vez que a presença policial constante e legalista impede o controle do território por parte de grupos armados e permite que o Estado atue, cumprindo seu dever nas áreas de saúde, educação, saneamento, urbanização, transporte, etc.
Qual o desafio? Transformar o programa em política pública, ou seja, dotá-lo de universalidade e sustentabilidade, o que exige o envolvimento do conjunto das instituições policiais em sua aplicação. No Rio, não há esta hipótese, tal o nível de comprometimento das polícias com o tráfico, as milícias e a criminalidade em geral. Portanto, sem a refundação das polícias não haverá futuro para as UPPs. Elas se limitarão a intervenções tópicas, insuficientes para mudar o panorama geral da segurança pública e continuarão a conviver com nichos policiais, milicianos ou não, que têm sido fonte de violência e não instrumentos da ordem cidadã e democrática. No Rio, é preciso exorcizar a retórica tão patética quanto mascaradora do bem contra o mal e inscrever a mudança das polícias no centro da agenda pública.
(Trecho do texto "Além do bem e do mal na cidade sitiada" de Luiz Eduardo Soares. Pode ser lido integralmente aqui )

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O falso discurso ambiental sobre a construção de muros nas favelas


Por Renata Neder e Renato Cosentino

A utilização do argumento ambiental para justificar o controle de famílias de baixa renda moradores de favelas vem se intensificando nos últimos anos, sendo a construção de muros e a remoção de casas ações concretas do poder público nesse sentido. A forma como vem sendo conduzida a construção dos ecolimites indica que não é a proteção da floresta e nem a segurança dos moradores que está em questão. Pelo menos quatro fatos evidenciam isso:

1. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente não ter nenhuma ingerência e não responder pelo projeto, mas sim a Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro, que deveria ter apenas o papel de executar as obras e não de conceber políticas públicas.

2. A instalação de ecolimites ser justificada pelo crescimento das favelas da cidade. No entanto, o projeto se concentra na Zona Sul, onde os números mostram uma expansão irrisória e, em alguns casos, negativa da área ocupada por favelas.

3. A priorização na construção de muros, em detrimento de obras essenciais como a de estações de tratamento de esgoto, prova que o meio ambiente e mesmo a saúde da população não são o foco dessa iniciativa.

4. A forma como o governo enfrentou a resistência em comunidades organizadas, como a Rocinha, indica que oferecer equipamentos urbanos e infraestrutura foi a saída encontrada para conseguir apoio a um projeto que de outra maneira não se legitimaria.

Portanto, o discurso de proteção do meio ambiente faz parte de um projeto de controle mais amplo da população de baixa renda, que inclui também o policiamento intensivo e a demarcação física dos territórios de favela no momento em que o Rio de Janeiro se insere de maneira mais intensa nos fluxos internacionais de capital. O recurso dos royalties, uma oportunidade de elevar os índices de desenvolvimento humano do Estado, acaba sendo utilizado para manter uma relação antiga na capital. As remoções ganham outras faces, o controle outros discursos, mas a lógica de atuação do poder público segue o padrão segregador observado nas intervenções urbanas do Rio de Janeiro, com maior ou menor intensidade, desde o início do século XX.

(Trecho do texto "O destino dos royalties: muros ou ecolimites" publicado originalmente no blog Cidades Possíveis, pode ser lido na íntegra aqui )

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O prefeito que apóia as milícias

Vejam abaixo a declaração de Eduardo Paes. Segundo ele, a "Polícia Mineira" (as milícias, para quem não conhece o jargão) trouxe tranquilidade para a população do Rio de Janeiro.


Segundo ele, as milícias são uma ótima forma do Estado recuperar sua soberania.

A declaração foi feita em 2006, mas não devemos nos esquecer do passado dos políticos. Precisamos guardar bem vivo na memória os valores, crenças e posturas dos nossos governantes.
Quando aquele que deveria lutar pelos direitos do cidadão defende aqueles que mais ameaçam a população, aqueles que são a expressão mais atual da violência e da repressão, o que pode ser feito?

domingo, 16 de outubro de 2011

Um mundo que precisa mudar

(foto tirada em Fevereiro de 2008 no Malawi)

Hoje, dia 16 de outubro, é o Dia Mundial da Alimentação. Vou aproveitar a data para denunciar a violação do direito humano à alimentação apresentando alguns dados, assustadores, sobre a situação de fome e desnutrição.

Hoje, 1 bilhão de pessoas no mundo passam fome.

A cada 3,6 segundos uma pessoa morre de fome. Normalmente é uma criança com menos de 5 anos.

Metade das mulheres grávidas no mundo em desenvolvimento é anêmica. A falta de ferro causa mais de 300.000 mortes durante o nascimento da criança a cada ano.

A desnutrição causa, a cada ano,  a morte de 5 milhões de crianças com idades baixo dos 5 anos nos países em desenvolvimento.

Um mundo com esses números é um mundo que tem que mudar.

A fome não é um problema individual ou privado. Suas causas não são naturais. A pobreza e a fome são resultado das relações sociais no âmbito do capitalismo, relações desiguais que promovem injustiça e desigualdade.

Precisamos, todos, lutar coletivamente por relações sociais igualitárias e por um mundo mais justo e democrático. Pense no que você pode fazer para mudar esse quadro de fome, pobreza e injustiça, e coloque em prática.

Se queremos um futuro diferente, precisamos agir no presente.

Faça algo agora: assine aqui uma petição exigindo dos governos que regulem o mercado de alimentos, impedindo a especulação e a alta de preços.

Mais informações sobre a campanha "Não apostem com a nossa comida" acessem o link.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A negligência que mata: a vida e a morte dos mesmos de sempre

O remédio para Doença de Chagas é produzido por um único país no mundo: o Brasil. A responsabilidade foi assumida pelo governo brasileiro com a população mundial, em uma das ações estratégicas para reforçar a liderança do país no continente e sua vocação de potência emergente. Na semana passada, a organização internacional humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou que, por negligência, o Ministério da Saúde do Brasil atrasou a remessa de remédios, colocando em risco a vida de milhares de pacientes e paralisando os projetos de combate à doença.

A denúncia passou quase despercebida. Ganhou muito menos destaque na imprensa do que sua relevância exigiria, numa semana em que o grande tema midiático da saúde foi a proibição dos inibidores de apetite pela Anvisa. Levanto a questão porque a invisibilidade é, de fato, o que tem matado milhões de pessoas no mundo inteiro, vítimas das chamadas “doenças negligenciadas”, como Chagas. E o que são doenças negligenciadas? São aquelas que a indústria farmacêutica não tem interesse em pesquisar a cura porque atingem a parcela mais pobre dos países mais miseráveis do mundo. Ou seja: seu tratamento não dá dinheiro. E são aquelas que parte da imprensa opta por deixar para o canto da página ou para página nenhuma porque não atingem as pessoas que compram jornais. E é assim que parte da população mundial – sempre a mesma parte – morre: porque a vida de uns vale menos que a de outros. E nós todos somos cúmplices dessa lógica quando viramos a página porque a notícia não diz respeito ao nosso umbigo. Notícia, como sabemos, não tem natureza. “O quê” e “quem é notícia” são escolhas políticas e socioeconômicas com consequências na vida de todos, mas principalmente na vida dos mesmos de sempre.

Trecho do texto "A negligência que mata" de Eliane Brum publicado aqui.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O que Copa e Olimpíadas fazem pelas cidades?

“Bilhões de dólares foram gastos em estádios e outras obras, mas nós permanecemos em barracos sem energia. Eles pediram para a gente “sentir a Copa” [expressão usada no slogan oficial do evento], mas nós não sentimos nada além da dor da pobreza piorada pela dor da repressão. O dinheiro que deveria ser gasto urbanizando as comunidades mais pobres foi desperdiçado. A Copa do Mundo vai terminar no domingo e nós ainda seremos pobres.”

Essa foi a fala do Landless People Movement da África do Sul durante a Copa do Mundo de 2010. Reflete o sentimento de muitos sul-africanos em relação ao evento.
Eu estive na África do Sul alguns meses antes do início da Copa. Encontrei um país em obras e muita gente reclamando. Mas, quando os jogos começam, os problemas costumam ser esquecidos. Passada a euforia do momento, começam as discussões sobre os impactos do evento, o uso dos recursos, quem se beneficiou realmente… e por aí vai.
Essa discussão não termina, porque acaba emendando nas discussões daqueles que já estão preocupados com o futuro das suas cidades que serão sede das próximas Copas e Olimpíadas. Já existem muitas informações disponíveis e que merecem atenção.
Em 2010, as Nações Unidas lançaram um relatório sobre o impacto das Olimpíadas nas cidades-sede. Os números são chocantes. Seul (1988): 15% da população foi desalojada, 48 mil edifícios foram destruídos. Pequim (2008): Um milhão e meio de pessoas foram removidas. Atlanta (1996): 15 mil pessoas removidas. E essas remoções e despejos, na maior parte das vezes, foram feitos de forma violenta e desrespeitando direitos básicos da população.
Além do impacto direto das obras e de como elas são feitas, também há o ponto importante de quem realmente se beneficia com a realização destes eventos. Na África do Sul, por exemplo, muitos homens e mulheres artesãos, comerciantes, vendedores, trabalhadores, etc, acreditaram que poderiam se beneficiar e aumentar um pouco sua renda durante os jogos. Mas não foi assim. Os pequenos comerciantes e artesãos não tiveram acesso aos estádios e arredores. Um perímetro de exclusividade foi criado ao redor dos estádios. Ali, apenas as grandes redes e marcas poderiam comercializar seus produtos. Resultado: quem lucrou foram as grandes empresas, não os sul africanos.
E falando em estádio… hoje, apenas um ano depois da Copa, já se discute na África do Sul a demolição de alguns dos estádios construídos. O custo da manutenção é alto demais, não justifica manter o “elefante branco” em pé.
E o que falar dos gastos? A Copa da África do Sul acabou custando 17 vezes mais do que o previsto inicialmente. Cidades que foram sede de mega eventos se endividaram além de suas capacidades e passaram muitos anos pagando a conta. È o caso de Atenas (2004) e Montreal (1976) que sediaram os Jogos Olímpicos.
Quanto mais investigamos, mais vemos cenários desanimadores. Mas, como disse o cientista político Antonio Gramsci, não devemos ficar apenas no pessimismo da razão. Devemos ter o otimismo da vontade.
O otimismo da minha vontade diz que é possível trilhar outros caminhos em que a realização de megaeventos esportivos promova inclusão social, gere renda e diminua desigualdades. Mas o caminho que leva a esse legado é o caminho da participação popular, da transparência, do controle social sobre as políticas e uso de recursos públicos.
O Brasil e o Rio de Janeiro podem aprender muito com outras experiências e escolher um caminho melhor para a realização da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas em 2016.

Texto publicado originalmente no dia 01 de Outubro no blog Mulher 7 por 7

Medindo o "basta" - 2

Mais um momento de monitoramento dos avanços desde o pronunciamento do "Basta!".

Peso: 78,7kg
Percentual de gordura: 33,7%

Balanço até o momento: menos 5,7kg e 5,3% de gordura.

A ansiedade e o desespero já passaram. O mais difícil tem sido resistir às tentações diárias que cismam em aparecer no trabalho, na casa dos amigos, na casa da mãe... É um grande teste de resistência e autocontrole. Mas, às vezes, não tem jeito. Estamos cansados demais para resistir.

Outra dificuldade encontrada: manter a dieta durante viagens. É difícil seguir horários e regras de alimentação viajando. Isso pode se transformar numa grande dificuldade para mim considerando a quantidade de viagens que faço. Mas nada que desanime, o importante é continuar, mesmo dando umas derrapadas por aí.

E a batalha continua!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Os livros e hábitos de viagem


Woman reading, Alexander Deineka, 1934

Quando fazemos certas coisas repetidamente, especialmente sozinhos, acabamos desenvolvendo certos hábitos  e rotinas. Quem mora sozinho sabe disso. Dizem até que morar sozinho por muito tempo acaba levando ao desenvolvimento de manias, quase insuportáveis aos olhos alheios, e das quais é difícil de se livrar depois.

Como vocês sabem, eu viajo bastante a trabalho. Na maioria das vezes, viajo sozinha. E, de tanto viajar sozinha, desenvolvi meus hábitos e minhas manias. Já tenho o meu jeitinho particular de viajar comigo mesma.

Sempre carrego comida na bagagem de mão e na mala. Bom, isso quando eu vou para países muito diferentes. É um hábito que adquiri depois de passar fome no interior de Moçambique por não tolerar peixe e frutos do mar. Agora, sempre carrego frutas secas, barrinhas de cereal, biscoitos e tudo que aguentar uma viagem internacional. Esse ítem faz parte do manual básico de sobrevivência. Essa é uma mania de mão dupla. Na volta das viagens (que a ANVISA não leia isso...) eu sempre trago algum produto alimentício local. Rosa da Jamaica da Nicarágua, café da Guatemala, Baobá do Senegal (esse trazido via Africa do Sul em um verdadeiro escambo internacional), queijos variados da Europa, pastéis de Belém de Portugal... A lista é extensa.

Remédios e kit de primeiros socorros. Eu confesso: tenho medo de hospital, e pavor de agulhas. Já dei escândalos inconfessáveis ao ter que tomar anestesia de dentista ou tomar soro na veia. Ir em um hospital em outro país é algo que definitivamente não passa pela minha lista de alternativas viáveis. Ir em um hospital no Vietnã, na Tanzânia ou na Nicarágua, só se eu estiver morrendo. É pânico mesmo. Por isso, levo minha farmácia particular. A cada viagem ela é minuciosamente checada e reabastecida se necessário. Já foi muito útil em algumas ocasiões.

Ler. Ler muito. Eu não tenho tempo para ler muitas coisas que não sejam relacionadas ao trabalho. Mas como adoro ler, baixei uma regra. Quando estiver em trânsito (no aerroporto, no vôo, etc), só leio livros não relacionados ao trabalho. Acho que é um equilibrio justo. Já estou viajando a trabalho, fazendo as vezes viagens muito longas e cansativas, com jornadas de trabalho em viagem que são bastante intensas... Nada mais justo que determinar certos momentos de leitura de lazer. Pois esse hábito deu um grande impulso no meu ritmo de leitura. Na viagem à Tanzânia, por exemplo, li 400 páginas de um livro.

E descobri uma coisa legal: o livro é um grande companheiro de quem viaja sozinho. Principalmente nas refeições. Eu não sei quanto a vocês, mas eu sempre achei que fazer as refeições sozinhas é muito chato. Não me importo de fazer muitas coisas sozinha (ir à praia, ao cinema...), mas para almoçar e jantar eu prefiro ter companhia. Mas muitas vezes na viagem simplesmente não tem companhia. E aí, sentar sozinha em um restaurante, esperar sozinha a comida sem ter nada para fazer, e comer olhando para o infinito... é meio desconfortável.

Adotei então o livro como meu grande companheiro nas refeições desacompanhadas. Já até descobri o jeito certo de comer com a mão direita enquanto seguro o livro com a esquerda. E assim passo as refeições.

Ontem e hoje fui jantar sozinha em um restaurante italiano perto do hotel. Levei meu livrinho comigo. Os garçons acharam graça de me ver lá dois dias comendo sozinha, levando um livro e um lápis (ah, sim, porque eu só leio se tiver um lápis na mão para poder sublinhar, escrever... mesmo que seja livro de ficção). Mas assim passei meus jantares, comendo uma massinha, tomando uma taça de vinho, e lendo. O quadro que abre este post me inspirou a compartilhar isso com vocês.

Ah, e so para constar: nessa viagem curta de dois dias, eu li 140 páginas!
E vocês, tem hábitos de viagem? Carregam livros para todo o canto para ler em quaisquer 10 minutinhos que sobrem? Não gostam de comer sozinhos?

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Reconhecimento da Palestina JÁ!!

CONTATO PARA ENTREVISTAS ANTECIPADAS
Moradores de Foz do Iguaçu somam aos 142 países mobilizados para o manifesto mundial marcado para o dia 20 de setembro.
Em Foz do Iguaçu o palco para a manifestação será a praça do mitre. Faixas, cartazes e um vídeo, aliado aos discursos integram o manifesto marcado para ás 17h.
A mobilização antecede a abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, no dia 21 e a defesa pela criação do Estado Palestina pelo presidente Mahmoud Abbas, no dia 23. A pressão feita pelos aliados é para tentar demover os EUA que já anteciparam o veto contra o pedido da criação do estado, fragmentado em dois pedaços. Um deles dominado por Israel que desde então exemplifica o maior campo de concentração do mundo a céu aberto.
No Brasil as concentrações ocorrem com mais vigor em São Paulo, Rio Grande do Sul e em Foz do Iguaçu. “Esperamos que a população de Foz esteja na praça conosco”, convida os organizadores.
Jihad Ahmad Abu Ali – porta voz da comunidade palestina em Foz Tel : 00 55 45 3025 5515 Mobile : 00 55 45 99151819 Foz Do Iguaçu – Parana – Brasil
Fonte: Boca Maldita