Celulose ou MegaByte? Livros impressos no papel ou livros em arquivos para leitores digitais? Essa dicotomia está esquentando o debate, e gerando muita polêmica, entre bibliófilos, leitores, editoras, livrarias e, claro, os fabricantes dos leitores digitais.A existência de versões digitais para livros, revistas, jornais e publicações traz inúmeras vantagens. A maior delas é, sem dúvida, a praticidade. O que seriam quilos e quilos de papel podem caber em apenas um aparelho menor do que um livro comum. Para aqueles que, com frequência, precisam consultar muitas referências, ler muitos livros e artigos, é um alívio. Em casa ou no trabalho, podemos espalhar todos os exemplares na mesa. Mas se precisamos levar o material para algum outro lugar, se vamos viajar... aí já viu, né?
Além da praticidade, os livros digitais trazem a possibilidade de obter títulos esgotados ou raros sem ter que esperar por uma reimpressão, que em geral é muito cara e acaba não compensando para a maioria das editoras. Quem é do meio acadêmico sabe disso. Quantos títulos e autores precisamos ler na faculdade e não conseguimos os livros? Fazer uma versão eletrônica de um título já existente tem praticamente custo zero para a editora, e pode significar acesso a títulos que antes eram quase impossíveis.
O preço poderia ser outra vantagem, mas ainda não é. Os leitores disponíveis no mercado (como o Kindle, da Amazon, e o Ipad, da Apple) são muito caros e os preços dos livros digitais também. Recentemente, uma disputa pelo mercado de leitores levantou essa questão. A Amazon estabelece preços mais baixos para os livros digitais, deixando muitas editoras descontentes. A Apple negociou preços mais altos para os e-books, satisfazendo editoras mas prejudicando o bolso do consumidor, e assim começou uma grande disputa por mercados. Para se tornarem uma vantagem econômica para os consumidores e popularizarem o acesso aos livros, os valores deveriam baixar, e muito!
Mas não acho que os e-books vão substituir os livros impressos. Existe algo na experiência de leitura de um livro que é único e insubstituível. Um livro é um objeto que se lê. E já teve muitos formatos. Cada um deles proporciona uma experiência diferente. Os e-books proporcionam uma experiência sempre no mesmo suporte, o leitor digital. Os livros impressos vêm formatos, tamanhos, cores, texturas e até cheiros diferentes. A experiência de segurar um livro, sentir seu peso, alisar sua capa, folhear suas páginas e sentir o cheiro do papel é diferente para cada exemplar. Quem admira livros sabe do que estou falando.
Não sou a favor do consumismo desenfreado e isso se aplica aos livros. Não há necessidade de termos todos os livros que um dia lemos ou iremos ler. Mas acho que podemos ter uma biblioteca pessoal, por que não? Os livros de estudo, de consulta, devem estar guardados ao nosso alcance. Aqueles de poesia ou de literatura que são especiais, que nos marcaram, ou aos quais volta e meia recorremos para uma releitura, também. Esses são aqueles que devem estar ali na estante, em versão impressa, porque nos proporcionam uma experiência pessoal e íntima. O resto, se veio em versão impressa, pode ser passado adiante. Ou pode vir em formato digital.
Os e-books vieram para facilitar a vida de alguns leitores e consumidores, mas nunca vão substituir os livros impressos.
E vocês, o que acham?
Imagem que abre o post:"Young man reading by candlelight" de Matthias Stom (1600/50)